Emily Feenstra
Associate, Investments

Examinando os Retornos do Ensino Superior no Brasil

June 20, 2017

Por Emily Feenstra, Investment Associate, Omidyar Network, e Princess Adentan

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A crença de que todas as crianças merecem oportunidades educacionais de qualidade é central para a estratégia de investimento em educação da Omidyar Network. Contudo, existe uma disparidade de oportunidades persistente entre famílias de alta renda e as de baixa renda globalmente. Embora essa diferença tenha características diferentes em cada país, os efeitos são semelhantes – as disparidades de oportunidade na infância se manifestam em disparidades de renda na vida adulta. 

O Brasil, um dos países foco para a Omidyar Network, frequentemente se classifica entre os países mais desiguais do mundo. Em 2014, a OCDE divulgou um relatório destacando que os trabalhadores brasileiros apresentam uma das maiores diferenças de renda de acordo com seu nível de educação: brasileiros com ensino superior completo ganham mais de 2,5 vezes o rendimento daqueles com ensino médio. Mas será que todos estudantes têm acesso à educação superior que é tão crucial para obter um salário melhor mais tarde?

Para responder esta questão e implementar nossa estratégia com sucesso, é importante ter dados basais confiáveis. No entanto, não há muita informação disponível. Portanto, para entender as nuances das oportunidades educacionais e da diferença de renda no Brasil, a Omidyar Network realizou uma pesquisa em conjunto com a RIWI Corporationno final de 2016. A parte seguinte é um resumo de nossas principais descobertas.

Graduados do ensino superior apresentaram níveis de renda significativamente mais altos que não graduados

Em nossa amostra, a renda mensal média de um graduado do ensino superior (R$ 2.700) foi 1,7 vezes superior à de um não graduado (R$ 1.500). Este resultado é um pouco menor do que a estimativa da OCDE, o que se justifica devido ao fato de nossa pesquisa ter sido realizada em dezembro de 2016 durante o auge da crise econômica do Brasil, um momento em que as taxas de desemprego e subemprego atingiram seu pico. Desconsiderando esse fator, nossos dados confirmam que os graduados do ensino superior obtiveram um aumento de ganhos considerável em relação aos não graduados no Brasil.

Mesmo entre os graduados do ensino superior, estudantes de famílias de baixa renda ganham muito menos do que os graduados do ensino superior de famílias de renda mais alta – o que sugere baixa mobilidade econômica.

Em nossa amostra, há uma forte correlação entre a renda atual dos graduados e sua renda familiar. Embora esta correlação não seja inerentemente surpreendente – e, infelizmente, aconteça mundo afora – por conta da dura realidade apresentada por nossos dados, um olhar mais atento se faz necessário. A renda média atual dos graduados das famílias na faixa de renda mais alta (definida como aqueles que ganham mais de R$ 4.000/mês) é 4,4 vezes a renda média atual dos graduados das famílias na faixa mais baixa (definida como aquelas que ganham menos de R$ 500/mês). Infelizmente, esse dado é muito consistente com estudos sobre o ambiente macroeconômico no Brasil. Em 2016, o Stanford Center on Poverty and Inequality publicou um relatório sobre a mobilidade socioeconômica, comparando a rigidez da renda intergeracional em países de renda média e alta. O Brasil ocupou o quarto lugar entre os 24 países com base na correlação entre os ganhos de pais e filhos.

Graduados de universidades públicas nas áreas de educação, saúde e matemática ganham mais do que graduados de universidades privadas, enquanto a renda de graduados das áreas de direito, engenharia, informática e administração são equivalentes.

É uma percepção generalizada no Brasil que muitos cursos universitários públicos são de alta qualidade, enquanto, em universidades privadas, a qualidade tende a variar mais. No entanto, não há dados disponíveis para validar ou refutar essa crença. Ao controlar a variável “renda familiar”, descobrimos que os graduados em cursos de educação ou saúde de universidades públicas apresentaram renda 21 por cento maior do que os graduados em faculdades privadas. O mesmo se aplica em matemática com ganho de 11 por cento em universidades públicas. Os rendimentos foram mais semelhantes para os graduados de cursos universitários públicos e privados nos campos do direito, da administração, da informática e da engenharia que ganham entre 1 e 7 por cento a mais do que universitários em instituições privadas. A partir de nossos dados, não fica inteiramente claro o que está gerando essas diferenças. Sendo assim, convidamos a todos para que se debrucem sobre essa questão e nos ajudem a investigá-la em maior profundidade.

Entre os universitários de instituições privadas, o custo do programa foi correlacionado com os ganhos futuros na maioria dos casos.

Mesmo controlando a renda familiar, na maioria das áreas, quanto mais um aluno paga pela universidade, mais ele pode esperar ganhar no futuro. Essas são boas notícias, pois sugerem que o preço de um programa reflete, pelo menos até certo ponto, o valor de mercado deste diploma. Graduados de programas de custo médio ganham entre R$ 560 e R$ 1.240 a mais do que seus pares de programas de menor custo. Esses dados destacam o papel crítico que o financiamento educacional pode desempenhar na expansão do acesso de estudantes de baixa e média renda a programas mais caros e de melhor qualidade.

Por fim, a tecnologia desempenha um papel importante no aumento do acesso ao ensino superior para pessoas de baixa renda, mas esses programas precisam ser de alta qualidade e conectados ao mercado de trabalho.

Hoje, há uma grande disparidade de renda entre os graduados de programas presenciais, mistos e online. Essa disparidade é particularmente alta para estudantes de comunidades das classes média e baixa. Graduados de baixa renda de programas presenciais ganham quase 50 por cento a mais do que seus colegas se formando em programas online e 35 por cento a mais que graduados de programas mistos. Esse efeito persiste mesmo dentro de um determinado programa de graduação.

Dito isso, é importante notar que os graduados de programas online ainda ganham mais do que não graduados e, dado o menor custo de programas online em muitos casos, esses programas ainda acabam sendo um bom investimento para estudantes. Graduados de programas online em nossa amostra ganharam R$ 1,9 mil por mês em comparação com R$ 1,4 mil para não graduados (em todos os níveis de renda). Assim, acreditamos que esses dados ilustram a oportunidade no mercado para continuar a melhorar a qualidade das ofertas online e mistas para além das videoaulas transmitidas para locais remotos. Além disso, há também oportunidade para ofertas mais envolventes, interativas e adaptativas que façam uso da tecnologia para conectar os alunos ao mercado de trabalho. Nós, da Omidyar Network, acreditamos que estamos nos estágios iniciais do uso da tecnologia para promover maior qualidade na educação e nos resultados de aprendizagem, e que as soluções disponíveis continuarão a melhorar através de investimentos contínuos e da aplicação de aprendizados na prática.

A Omidyar Network reconhece que o objetivo de promover uma educação de qualidade que seja acessível e justa requer um esforço coletivo. Convidamos empreendedores, pesquisadores e profissionais interessados em educação no Brasil a não só considerarem os pontos destacadas nesse artigo, mas também a entrarem em contato conosco para continuarmos essa troca e a acessarem os dados com o intuito de realizar análises adicionais.

Metodologia: Esta pesquisa foi conduzida com a tecnologia de interceptação de domínio aleatória (RDIT ou “random domain intercept technology” em inglês) da RIWI Corporation, a qual oferece pesquisas facultativas anônimas para usuários aleatórios da internet que digitam URLs erradas de sites que não existem mais ou de sites que a RIWI possui ou controla, mas que não eram o destino final desejado pelo usuário. Alcançamos mais de 45.000 entrevistados entre 22 e 45 anos, dos quais 10% completaram o questionário completo de 19 perguntas. A amostra não foi estatisticamente ponderada com base em características demográficas para se associar à população brasileira.

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